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Myths' Valley

Tecla L, dentro do jogo

O almanaque do vale

O caderno onde o jogo guarda o que você encontra andando: árvores com ficha, bicho que avisa antes de morder, cordel pregado em balcão, sinal de mito na beira do rio e o nome de quem está enterrado no cemitério.

26árvores com ficha
12bichos da fauna
10cordéis para achar
12lápides no cemitério
7cartas de mito e de gente
12notas do almanaque

80 modelos do Tripo

A mata do Recôncavo, árvore por árvore

Frutíferas de quintal, mata atlântica, manguezal e restinga. Cada espécie com ficha no almanaque tem o seu modelo no vale.
Arraste para girar · role para aproximar
Mangueira · 20.453 triângulos

Mangueira

Árvore nomeada perto do jogador: quatro mangueiras em volta da vila e uma no roçado da Fazenda, mais a bancada de comparação de mangueiras ao sul da Praça.

O prompt usado no Tripo

One mature mango tree (Mangifera indica) as a stylized game prop: short thick dark-brown trunk, very wide dense dark-green rounded canopy casting deep shade, a few small yellow-green mangoes hanging, exposed root flare, isolated single tree, clean silhouette, no ground plane, no text.

Escolha uma peça

8 espécies

Frutíferas do quintal

O que se come e o que dá sombra em volta de casa.

Mangueira

Mangifera indica
Mango tree

Veio da Índia com os portugueses e se deu tão bem no Recôncavo que parece nativa. Copa fechada, escura, sombra fresca o ano inteiro.

No vale: Quatro mangueiras nomeadas em volta da Praça e uma no terreiro do roçado, ao lado da casa de taipa. É a sombra do terreiro: a mais larga e a mais escura.

Jaqueira

Artocarpus heterophyllus
Jackfruit tree

Outra que veio da Ásia e tomou conta. A jaca nasce grudada no tronco e pode passar de dez quilos.

No vale: Duas jaqueiras nomeadas perto da Praça, uma a sudoeste e outra a nordeste.

Cajueiro

Anacardium occidentale
Cashew tree

Árvore da terra, torta e espalhada, que gosta de areia e sol. O caju é o pedúnculo; a castanha é o fruto de verdade.

No vale: Dois cajueiros perto da Praça e dois no roçado, torto e espalhado como gosta de areia e sol.

Bananeira

Musa × paradisiaca
Banana plant

Não é árvore: é uma erva gigante. O tronco é feito de folhas enroladas; depois de dar o cacho, o pé morre e brota outro do lado.

No vale: Quatro touceiras no quintal da casa de taipa, no roçado.

Pitangueira

Eugenia uniflora
Surinam cherry (pitanga)

Não falta em quintal da Bahia: arbusto de folha miúda e perfumada, que avermelha quando nasce.

No vale: No quintal de cada casa do arraial, atrás da casa, como nos quintais baianos.

Jenipapeiro

Genipa americana
Genipap tree

Árvore alta de tronco liso e reto, que perde as folhas por um tempo e floresce em branco e amarelo.

No vale: Na mistura da mata fechada.

Goiabeira

Psidium guajava
Guava tree

Árvore de tronco liso e retorcido, que descasca em placas e deixa a madeira clara por baixo. Nasce sozinha nos quintais, onde o passarinho larga a semente.

No vale: Nas zonas de paisagismo e nas manchas de vegetação do vale.

Mamoeiro

Carica papaya
Papaya tree

Mais erva que árvore: tronco oco e mole, sem um galho, com as folhas em estrela lá no alto e o mamão grudado embaixo delas. Cresce depressa e dura poucos anos.

No vale: Nas zonas de paisagismo e nas manchas de vegetação do vale.

12 espécies

Mata de dentro

O que fica onde o machado ainda não chegou.

Pau-brasil

Paubrasilia echinata
Brazilwood

Madeira vermelha de dentro, casca com espinhos. Deu nome ao país e quase sumiu da mata de tanto ser cortada.

No vale: Um só, a oeste da Praça. Em 1887 já é raro achar um de pé — e no vale é um de pé.

Ipê-amarelo

Handroanthus albus
Yellow ipê (trumpet tree)

Passa meses discreto e, no fim da seca, perde as folhas e fica todo coberto de flor amarela.

No vale: Um a oeste da Praça e um no adro da igreja, do lado leste. Florido o ano inteiro no modelo.

Ipê-roxo

Handroanthus impetiginosus
Pink ipê (trumpet tree)

Primo do amarelo, floresce antes dele, em rosa-arroxeado. Pés velhos de ipê-roxo marcam adro de capela e beira de estrada.

No vale: Um a sudeste da Praça e um no adro da igreja, do lado oeste.

Embaúba

Cecropia pachystachya
Embaúba (trumpet tree, Cecropia)

Tronco oco, folhas grandes em forma de mão, prateadas por baixo. É das primeiras a crescer onde a mata foi derrubada.

No vale: Uma nomeada a nordeste da Praça e milhares na mata fechada: é uma das espécies da mistura da mata e a dominante na borda das ruas.

Sapucaia

Lecythis pisonis
Sapucaia (monkey pot tree)

Gigante da Mata Atlântica. Na primavera a copa inteira fica rosa de folha nova; o fruto é uma cumbuca de madeira com tampa.

No vale: A árvore alta da mata fechada: duas em cada cinco árvores sorteadas da mata, com raízes tabulares e copa alta (GLB mata_a).

Gameleira

Ficus gomelleira
Gameleira (strangler fig)

Figueira de copa larga e raízes que descem dos galhos e abraçam o que encontram. Uma só faz sombra de praça.

No vale: A árvore larga da mata fechada: duas em cada cinco árvores sorteadas da mata, copa redonda e densa (GLB mata_b).

Ingazeiro

Inga sp.
Ice-cream bean tree (ingá)

Árvore de beira de rio: a copa larga faz sombra na água e segura a margem com as raízes.

No vale: Nas margens dos rios, rio acima, onde a água deixa de ser salgada.

Jatobá

Hymenaea courbaril

Copa larga e fechada sobre um tronco grosso e reto. Na baixada, onde a terra é funda, faz jatobazal: uma copa encostada na outra.

No vale: Nas zonas de paisagismo e nas manchas de vegetação do vale.

Jequitibá

Cariniana legalis

Rei da mata: sobe reto e grosso, sem um galho por dezenas de metros, e passa dos quinhentos anos. Quem entra na sombra dele fala baixo.

No vale: Nas zonas de paisagismo e nas manchas de vegetação do vale.

Massaranduba

Manilkara huberi

Árvore de copa alta e escura, que demora um século para ficar adulta. Se cortada, deixa um leite branco e grudento no toco.

No vale: Nas zonas de paisagismo e nas manchas de vegetação do vale.

Angico

Anadenanthera colubrina

Copa rala e achatada, folha miúda que fecha ao anoitecer. Gosta de morro seco e pedregoso, onde pouca árvore aguenta o vento.

No vale: Nas zonas de paisagismo e nas manchas de vegetação do vale.

Aroeira

Schinus terebinthifolia

Árvore baixa e copada, de folha que cheira a resina quando se amassa. Aguenta sol, vento e chão pobre: toma o alto dos morros e a beira da mata.

No vale: Nas zonas de paisagismo e nas manchas de vegetação do vale.

4 espécies

Beira d'água

A franja da baía, o mangue e a areia.

Coqueiro

Cocos nucifera
Coconut tree

Toda a costa da baía é franjada de coqueiro, inclinado para o mar como quem procura a água.

No vale: Toda a orla: um coqueiro a cada ~34 m ao longo da linha da costa, de 6 a 14 m da água, inclinado para o mar. Mais dois nomeados entre o píer e a Praça. É a única árvore que se corta.

Mangue-vermelho

Rhizophora mangle
Red mangrove

Fica com o pé na lama salgada, apoiado em raízes que descem do tronco como pernas de aranha. Onde o rio encontra a baía, é ele quem manda.

No vale: Manguezal nas margens dos rios perto da foz e na beira da costa dos dois lados de cada foz, com o pé na lama salgada.

Abaneiro

Clusia sp.
Autograph tree (Clusia)

Arbusto de restinga de folhas grossas como couro, que aguentam sol, sal e vento da praia.

No vale: Restinga da orla, baixa, entre coqueiros, castanholas e piaçavas.

Bambu

Bambusa vulgaris
Bamboo

Touceira que cresce em moita fechada na beira dos rios, onde a terra é úmida. Cada colmo sobe reto, oco e de gomos, e à noite a moita estala e geme com o vento.

No vale: Nas zonas de paisagismo e nas manchas de vegetação do vale.

2 espécies

De lavoura e ofício

O que vira azeite, vassoura e corda de navio.

Dendezeiro

Elaeis guineensis
Oil palm (dendê)

Palmeira que veio da costa da África junto com o povo escravizado. Os cachos de coquinho vermelho nascem no meio da copa.

No vale: Um dendezeiro nomeado a noroeste da Praça e dois ao lado da Venda do Bar.

Piaçava

Attalea funifera
Piassava palm

Palmeira da restinga baiana, com o tronco vestido de fibra comprida e escura.

No vale: Na mistura da mata fechada e na restinga da orla, entre os coqueiros.

4 espécies

Outras plantas do vale

Castanhola, moitas, capim e sub-bosque compõem o cenário; estas plantas ainda não têm ficha no almanaque do jogo.

Castanhola (amendoeira-da-praia)

Terminalia catappa

Na orla, misturada aos coqueiros, como na vila real (fotos do lugar). Copa em andares.

Moita florida

Anel de canteiros na borda da Praça e as seis moitas de ervas da serra no mirante (missão da Dona Zefa).

Capim alto (sapé)

Quatro pés em volta das covas do cemitério: o mato que o Damião pede para cortar e que não rende nada.

Sub-bosque (helicônias, bromélias e samambaias)

Sob a mata fechada, um tufo a cada três árvores; some a 85 unidades da câmera.

Da mata, e de morder

Avisa antes, quem sai da frente sai inteiro

Os bichos da mata têm um aviso de bote: o corpo acende em âmbar, a cabeça abaixa e uma marca no chão mostra até onde a mordida alcança. A luta segue as mesmas regras do jogo 2D, número por número.

na mata do dendê e no pé da pedreira

Caititu

Porco-do-mato de coleira clara. Anda de bando pequeno e não tem medo de gente: tem pressa.

Avisa antes de morder. Para, baixa a cabeça, e o corpo clareia; quem sai da frente nessa hora sai inteiro.

Três pancadas de facão derrubam um. Deixa a carne, que vai na brasa.

Quando cai, a mata leva 3 dias para pôr outro no lugar.

Meta: O Pedro guarda uma coisa do pai dele para quem derrubar dez.

no vale

no penedo, depois da pinguela

Onça

A dona do penedo. Pintada de roseta, e não de listra, e maior do que parece de longe.

Avisa uma vez só e salta de longe: o bote dela alcança quem achou que já estava fora.

Anda mais que o passo de gente e menos que a carreira. Quem corre escapa; quem anda, não.

O couro vale no balcão o que quatro caças valem. Quando cai, o penedo fica vazio por 5 dias.

Meta: Dizem no arraial que a Dona Zefa costura patuá para quem derruba duas.

no vale

nos brejos: o do leste, na beira do mar, e o da lagoa

Jararaca

Cobra de brejo, parda, de malha escura no lombo. Fica enrolada no mato alto e não persegue ninguém: espera.

O bote é curto e sai rápido; o corpo clareia antes. A mordida em si é pouca.

O que mata é o que fica: a peçonha vai tirando vida depois, devagar, e a barra escurece de verde. O chá de folha corta.

Duas facadas derrubam uma. Deixa a banha, que é remédio de benzedeira. Quando cai, o brejo leva 4 dias para ter outra.

previsto

12 bichos

Quem mais anda pelo vale

da mata, e de morder

Porco-do-mato de coleira clara. Mora na mata fechada do vale, fareja o jogador num raio e desiste num maior, arma o bote antes de morder e deixa carne de caça. Três pancadas de facão derrubam um; a mata repõe em 3 dias.

no vale

da mata, e de morder

Pintada e preta vivem cada uma no seu penedo. Veem por cone e linha livre, farejam pelas costas, avisam e atacam; ao sair do território voltam à lapa. A preta sai ao entardecer.

no vale

da mata, e de morder

Cobra de brejo, parda, de malha escura. Não persegue: espera enrolada no mato alto. A mordida é pouca; o que mata é a peçonha, que tira vida devagar por 12 s. O chá de folha corta.

previsto

do mar

Patrulha a parte funda, caça peixes e persegue quem nada longe da costa; quando alcança o viajante, ele volta à terra firme.

no vale

do mar

Tainhas e bolas de sardinhas perto das canoas, xaréus caçando, sargentinhos e budiões nas pedras, piabas, acarás e traíras nos poços; cavalas, sororocas e raias no mar de fora. Fogem de nadadores e predadores.

no vale

da pesca (mar)

O peixe da Baía de Todos os Santos. Só na água salgada: 16 em 100 lances. É o que dá dinheiro — vale três peixes comuns no balcão do armazém.

no vale

da pesca (água doce)

Peixe de remanso. Só na água doce: 20 em 100 lances. Menos dinheiro que o robalo e mais que o peixe comum — vale dois.

no vale

da pesca (toda água)

Em toda água, de propósito: metade das receitas da cozinha pede peixe. A pesca é de uma tecla: E lança, a espera é de 1,6 a 5 s, e há uma janela de 0,75 s para ferrar quando a bóia afunda. Andar recolhe a linha.

no vale

ave (só o canto)

De manhã e à tarde, um canto curto vem de um ponto a 15–30 unidades do jogador, a cada 18 a 50 segundos, na camada de volume 'aves'. Não tem corpo: o vale parece habitado pelo ouvido.

no vale

ambiente sonoro

De dia aves e insetos; de noite grilos, sapos e corujas, em fusão pela luz do dia. Os insetos e grilos são estridentes, por isso entram em episódios curtos (6–12 s) separados por pausas de 1 a 2,5 min. Na mata fechada, sussurros esparsos e a trilha de tensão.

no vale

domésticos e do lugar

Cães acompanham donos e dormem nas portas; gatos fogem deles. Galinhas, galos, pintos e galinhas-d'angola recolhem ao poleiro. Patos nadam no riacho; porcos, cabras, bode e jumento rondam seus terreiros; pavões vivem no adro.

no vale

da história

Não é bicho: é a Matinta Pereira do capítulo 7 do enredo. Só aparece quando a história manda, no alto da torre da capela, ao bater a lança de safiras no escudo, e o embate é luta de verdade.

no vale

10 folhetos pregados pelo arraial

Cordel no balcão, no poço e na porta da capela

Nenhum folheto é atribuído a pessoa real: o campo 'autor' descreve o papel (folheto sem assinatura, letra de mão). Em 1887 o cordel impresso mal começou; o que circulava no Recôncavo era manuscrito.

O Peso Falso

folheto sem assinatura

Um vendeiro tinha um peso
de chumbo por dentro oco,
pesava meia arroba
e cobrava arroba e troco.
Morreu, e a balança dele
pende sozinha, de pouco.

No balcão do armazém, embaixo da balança60 réis

O Cachorro que Foi ao Enterro

letra de mão, sem nome

O cachorro foi no enterro
atrás do caixão do dono,
deitou em cima da cova
e ali perdeu o sono.
Deram carne, deram água —
e ele só queria o dono.

Na capela, embaixo de um banco70 réis

O Homem que Vendeu a Chuva

folheto sem assinatura

Chegou um homem na feira
vendendo chuva engarrafada.
O coronel comprou três
e pagou com uma boiada.
Choveu de tarde, por acaso,
e do homem, nunca mais nada.

No bar da praia, esquecido numa mesa55 réis

A Missa dos Afogados

papel de embrulho, sem tipografia

Na noite de vento leste
a capela torna a alumiar.
Quem espia pela fresta
vê os bancos a lotar
de gente com roupa molhada:
são os que ficaram no mar.

No cemitério, num nicho vazio80 réis

A Moça que Morava na Água

folheto sem assinatura

Na curva funda do rio
onde a água não faz barulho
mora uma moça de cabelo
comprido feito um capulho.
Quem chama, ela responde.
Quem responde, vai no bulho.

Na beira da lagoa, preso numa pedra45 réis

O Cabra que Foi à Fazenda

folheto sem assinatura

Foi convidado pra festa
num sábado de luar,
entrou pelo portão de ferro
e não tornou a voltar.
Dizem que dança até hoje
e ninguém pode acordar.

No vau do rio grande, debaixo da ponte caída90 réis

Peleja do Caboclo com o Vento Sul

folheto sem assinatura

O caboclo desafiou
o vento sul na peleja:
— Tu derruba meu chapéu,
mas não derruba a igreja.
O vento riu e soprou
e a igreja tá lá, que veja.

No mirante, em cima da serra50 réis

O Santo do Pau Oco

folheto sem assinatura

Levaram o santo na barca
com ouro dentro da barriga.
O santo chegou vazio
e ninguém fez intriga.
Quem rezou não ficou rico,
quem roubou não teve briga.

Na ruína do palacete, entre as pedras75 réis

O Boi que Falou no Engenho

folheto sem assinatura

No engenho do Coronel
um boi de carro falou.
Disse só: — Tenho cansaço. —
e o carro não mais andou.
O Coronel vendeu o boi
e o boi nunca mais voltou.

No engenho, pendurado num caibro45 réis

O Moleque que Pescou a Lua

folheto sem assinatura

O moleque jogou a linha
na maré de lua cheia,
fisgou a lua pelo meio
e arrastou pela areia.
A mãe mandou soltar logo:
— Sem lua, a noite é feia.

Na ponta do píer, dentro de uma lata40 réis

O título nunca nomeia o mito

Sinais de quem olhou primeiro

na beira do rio, onde a água empoça e fica parada · de tarde, com o sol baixo

O que olhou de volta

Você se debruçou para beber e o rosto que boiou não era o seu.

Era de mulher, e estava rindo — não de você, mas de alguma coisa que ela sabia e você não.

Durou o tempo de piscar. Depois a água voltou a ser água, e no barranco ficou isto: um fio de cabelo preto, comprido demais para ser de gente do arraial, enrolado numa pedra como quem amarra recado.

O que o almanaque revela depois

O fio era dela. Iara, moça d'água, a que mora onde o rio para.

Ela olhou primeiro. Elas sempre olham primeiro — é assim que escolhem.

na mata fechada além do rio grande · no meio do dia, sem vento

A mata que parou

O barulho acabou. Não foi diminuindo: acabou, de uma vez, como quem fecha uma porta.

Nenhum bicho, nenhuma folha, nenhum inseto. Você contou até dez e o mato voltou a falar, todo junto, como se nada.

No chão, no meio da clareira, uma pegada só. De pé humano, de criança, e virada para trás.

O que o almanaque revela depois

A pegada virada para trás é a assinatura da Caipora, que anda de costas para quem a segue.

Ela não estava escondida. Ela estava olhando você contar até dez.

bem no fundo da mata, longe de qualquer caminho · a qualquer hora, com a mata calada

Pegadas ao contrário

Pegadas de pé de criança, uma atrás da outra, no meio do mato fechado onde ninguém passa.

Os dedos apontam para trás: quem as deixou andou para um lado com os pés virados para o outro.

Um assobio fino, de lugar nenhum. E o mapa, que você sempre soube ler, já não sabia onde ficava o norte.

Pactos

2

Com um mito, no lugar dele. Dá ganho permanente e cobra todo dia que amanhecer. Um de cada vez: firmar o segundo desfaz o primeiro. Quem não tem com que pagar não perde o pacto — perde o ganho daquele dia, e é avisado.

  • Pacto da Caipora — A mata deixa você levar mais. Toda madrugada ela cobra o pedágio dela — fumo não temos, então é comida.
  • Pacto da Iara — A água entrega o que tem. Ela cobra em coisa doce, todo dia, e não aceita peixe — peixe é dela.

Apoios

2

Carta de gente, não de mito. Vale uma vez por dia, na tecla B, e não cobra nada: é um favor guardado, uma reza que alguém ensinou.

  • Reza forte da Dona Zefa — Uma vez por dia: o corpo aguenta o resto da tarde.
  • Braço do Cosme — Uma vez por dia: ele aparece e ajuda no que for de lombo.

Rituais

3

Consumível que se prepara no oratório da casa com o que se planta. Some ao usar. É o único dos três que o jogador fabrica.

  • Chamado de chuva — Molha o roçado inteiro, agora. O que estava seco amanhece crescido.
  • Resguardo da roça — Por três dias, toda colheita rende mais uma.
  • Olho da mata — Aponta o que a mata tem por perto: madeira de lei e pedra boa.

Damião zela, o almanaque lembra

12 nomes que o arraial não esqueceu

1801 – 1869

Parteira por quarenta anos. Pôs no mundo metade do arraial e nunca cobrou de quem não tinha.

1822 – 1858

Saiu de canoa num nordeste forte e o mar não devolveu. Aqui está a rede dele.

1830 – 1884

Rezadeira. Curava quebranto com arruda; ainda hoje deixam folha verde na pedra.

1815 – 1872

Mestre de saveiro. Levava farinha a Salvador e trazia de volta as notícias do mundo.

1861 – 1866

Levada pela febre do ano da seca. O jasmim que a mãe plantou ainda floresce em setembro.

1790 – 1856

Primeiro padre da capela. Pediu para ser enterrado de frente para o mar, não para o altar.

1812 – 1880

Comprou a liberdade vendendo cocada na feira. Com o que sobrou, comprou a da irmã.

1826 – 1879

Fez as portas da capela e quase todas estas cruzes. A dele, o filho fez torta, de homenagem.

1840 – 1882

Gêmeos que partiram no mesmo dia. No arraial, ninguém lembra de um sem falar do outro.

1833 – 1877

Tocava viola no samba de roda até clarear. Com vento da mata, há quem ouça o ponteado.

1818 – 1885

Plantou o primeiro mandiocal do vale. A casa de farinha ainda usa o forno dela.

? – 1874

Chegou numa jangada sem vela, já sem vida. Ganhou flores e cruz como filho da terra.

Aparecem no menu, sobre o vale

Notas do almanaque

O mar do vale segue a carta náutica 1108 da Marinha, com a água da preamar de sizígia.de dia
Toda a costa da baía é franjada de coqueiro, inclinado para o mar como quem procura a água.de dia
Em 1887 a piaçava sai da Bahia em fardos para o mundo: vira vassoura, corda de navio e cobertura de rancho.de dia
Onde o rio encontra a baía, quem manda é o mangue-vermelho, de pé na lama salgada.de dia
O dendezeiro veio da costa da África; do dendê sai o azeite do acarajé, do vatapá e da moqueca.de dia
Em 1887 já é raro achar um pau-brasil de pé na mata.de dia
O jenipapo verde tinge a pele de azul-escuro por dias; maduro, vira o licor das festas de São João.de dia
Disse também, sem tirar a mão do leme, que ali a gente aprende a não andar na mata depois que escurece.de noite
Minha avó diz que o que troca com a gente à noite, cobra de dia. — Pedrode noite
Para o povo de santo, a gameleira é morada de Iroko, e não se corta. Os mais velhos passam longe dela à noite.de noite
Maré cheia, ninguém anda no mangue.de noite
Ninguém dorme debaixo de jaqueira carregada.de noite