O caderno onde o jogo guarda o que você encontra andando: árvores com ficha, bicho que avisa antes de morder, cordel pregado em balcão, sinal de mito na beira do rio e o nome de quem está enterrado no cemitério.
26árvores com ficha
12bichos da fauna
10cordéis para achar
12lápides no cemitério
7cartas de mito e de gente
12notas do almanaque
80 modelos do Tripo
A mata do Recôncavo, árvore por árvore
Frutíferas de quintal, mata atlântica, manguezal e restinga. Cada espécie com ficha no almanaque tem o seu modelo no vale.
Arraste para girar · role para aproximar
Carregando modelo…Não foi possível carregar o modelo. Tente novamente.
Árvore nomeada perto do jogador: quatro mangueiras em volta da vila e uma no roçado da Fazenda, mais a bancada de comparação de mangueiras ao sul da Praça.
O prompt usado no Tripo
One mature mango tree (Mangifera indica) as a stylized game prop: short thick dark-brown trunk, very wide dense dark-green rounded canopy casting deep shade, a few small yellow-green mangoes hanging, exposed root flare, isolated single tree, clean silhouette, no ground plane, no text.
8 espécies
Frutíferas do quintal
O que se come e o que dá sombra em volta de casa.
Mangueira
Mangifera indica
Mango tree
Veio da Índia com os portugueses e se deu tão bem no Recôncavo que parece nativa. Copa fechada, escura, sombra fresca o ano inteiro.
No vale: Quatro mangueiras nomeadas em volta da Praça e uma no terreiro do roçado, ao lado da casa de taipa. É a sombra do terreiro: a mais larga e a mais escura.
Jaqueira
Artocarpus heterophyllus
Jackfruit tree
Outra que veio da Ásia e tomou conta. A jaca nasce grudada no tronco e pode passar de dez quilos.
No vale: Duas jaqueiras nomeadas perto da Praça, uma a sudoeste e outra a nordeste.
Cajueiro
Anacardium occidentale
Cashew tree
Árvore da terra, torta e espalhada, que gosta de areia e sol. O caju é o pedúnculo; a castanha é o fruto de verdade.
No vale: Dois cajueiros perto da Praça e dois no roçado, torto e espalhado como gosta de areia e sol.
Bananeira
Musa × paradisiaca
Banana plant
Não é árvore: é uma erva gigante. O tronco é feito de folhas enroladas; depois de dar o cacho, o pé morre e brota outro do lado.
No vale: Quatro touceiras no quintal da casa de taipa, no roçado.
Pitangueira
Eugenia uniflora
Surinam cherry (pitanga)
Não falta em quintal da Bahia: arbusto de folha miúda e perfumada, que avermelha quando nasce.
No vale: No quintal de cada casa do arraial, atrás da casa, como nos quintais baianos.
Jenipapeiro
Genipa americana
Genipap tree
Árvore alta de tronco liso e reto, que perde as folhas por um tempo e floresce em branco e amarelo.
No vale: Na mistura da mata fechada.
Goiabeira
Psidium guajava
Guava tree
Árvore de tronco liso e retorcido, que descasca em placas e deixa a madeira clara por baixo. Nasce sozinha nos quintais, onde o passarinho larga a semente.
No vale: Nas zonas de paisagismo e nas manchas de vegetação do vale.
Mamoeiro
Carica papaya
Papaya tree
Mais erva que árvore: tronco oco e mole, sem um galho, com as folhas em estrela lá no alto e o mamão grudado embaixo delas. Cresce depressa e dura poucos anos.
No vale: Nas zonas de paisagismo e nas manchas de vegetação do vale.
12 espécies
Mata de dentro
O que fica onde o machado ainda não chegou.
Pau-brasil
Paubrasilia echinata
Brazilwood
Madeira vermelha de dentro, casca com espinhos. Deu nome ao país e quase sumiu da mata de tanto ser cortada.
No vale: Um só, a oeste da Praça. Em 1887 já é raro achar um de pé — e no vale é um de pé.
Ipê-amarelo
Handroanthus albus
Yellow ipê (trumpet tree)
Passa meses discreto e, no fim da seca, perde as folhas e fica todo coberto de flor amarela.
No vale: Um a oeste da Praça e um no adro da igreja, do lado leste. Florido o ano inteiro no modelo.
Ipê-roxo
Handroanthus impetiginosus
Pink ipê (trumpet tree)
Primo do amarelo, floresce antes dele, em rosa-arroxeado. Pés velhos de ipê-roxo marcam adro de capela e beira de estrada.
No vale: Um a sudeste da Praça e um no adro da igreja, do lado oeste.
Embaúba
Cecropia pachystachya
Embaúba (trumpet tree, Cecropia)
Tronco oco, folhas grandes em forma de mão, prateadas por baixo. É das primeiras a crescer onde a mata foi derrubada.
No vale: Uma nomeada a nordeste da Praça e milhares na mata fechada: é uma das espécies da mistura da mata e a dominante na borda das ruas.
Sapucaia
Lecythis pisonis
Sapucaia (monkey pot tree)
Gigante da Mata Atlântica. Na primavera a copa inteira fica rosa de folha nova; o fruto é uma cumbuca de madeira com tampa.
No vale: A árvore alta da mata fechada: duas em cada cinco árvores sorteadas da mata, com raízes tabulares e copa alta (GLB mata_a).
Gameleira
Ficus gomelleira
Gameleira (strangler fig)
Figueira de copa larga e raízes que descem dos galhos e abraçam o que encontram. Uma só faz sombra de praça.
No vale: A árvore larga da mata fechada: duas em cada cinco árvores sorteadas da mata, copa redonda e densa (GLB mata_b).
Ingazeiro
Inga sp.
Ice-cream bean tree (ingá)
Árvore de beira de rio: a copa larga faz sombra na água e segura a margem com as raízes.
No vale: Nas margens dos rios, rio acima, onde a água deixa de ser salgada.
Jatobá
Hymenaea courbaril
Copa larga e fechada sobre um tronco grosso e reto. Na baixada, onde a terra é funda, faz jatobazal: uma copa encostada na outra.
No vale: Nas zonas de paisagismo e nas manchas de vegetação do vale.
Jequitibá
Cariniana legalis
Rei da mata: sobe reto e grosso, sem um galho por dezenas de metros, e passa dos quinhentos anos. Quem entra na sombra dele fala baixo.
No vale: Nas zonas de paisagismo e nas manchas de vegetação do vale.
Massaranduba
Manilkara huberi
Árvore de copa alta e escura, que demora um século para ficar adulta. Se cortada, deixa um leite branco e grudento no toco.
No vale: Nas zonas de paisagismo e nas manchas de vegetação do vale.
Angico
Anadenanthera colubrina
Copa rala e achatada, folha miúda que fecha ao anoitecer. Gosta de morro seco e pedregoso, onde pouca árvore aguenta o vento.
No vale: Nas zonas de paisagismo e nas manchas de vegetação do vale.
Aroeira
Schinus terebinthifolia
Árvore baixa e copada, de folha que cheira a resina quando se amassa. Aguenta sol, vento e chão pobre: toma o alto dos morros e a beira da mata.
No vale: Nas zonas de paisagismo e nas manchas de vegetação do vale.
4 espécies
Beira d'água
A franja da baía, o mangue e a areia.
Coqueiro
Cocos nucifera
Coconut tree
Toda a costa da baía é franjada de coqueiro, inclinado para o mar como quem procura a água.
No vale: Toda a orla: um coqueiro a cada ~34 m ao longo da linha da costa, de 6 a 14 m da água, inclinado para o mar. Mais dois nomeados entre o píer e a Praça. É a única árvore que se corta.
Mangue-vermelho
Rhizophora mangle
Red mangrove
Fica com o pé na lama salgada, apoiado em raízes que descem do tronco como pernas de aranha. Onde o rio encontra a baía, é ele quem manda.
No vale: Manguezal nas margens dos rios perto da foz e na beira da costa dos dois lados de cada foz, com o pé na lama salgada.
Abaneiro
Clusia sp.
Autograph tree (Clusia)
Arbusto de restinga de folhas grossas como couro, que aguentam sol, sal e vento da praia.
No vale: Restinga da orla, baixa, entre coqueiros, castanholas e piaçavas.
Bambu
Bambusa vulgaris
Bamboo
Touceira que cresce em moita fechada na beira dos rios, onde a terra é úmida. Cada colmo sobe reto, oco e de gomos, e à noite a moita estala e geme com o vento.
No vale: Nas zonas de paisagismo e nas manchas de vegetação do vale.
2 espécies
De lavoura e ofício
O que vira azeite, vassoura e corda de navio.
Dendezeiro
Elaeis guineensis
Oil palm (dendê)
Palmeira que veio da costa da África junto com o povo escravizado. Os cachos de coquinho vermelho nascem no meio da copa.
No vale: Um dendezeiro nomeado a noroeste da Praça e dois ao lado da Venda do Bar.
Piaçava
Attalea funifera
Piassava palm
Palmeira da restinga baiana, com o tronco vestido de fibra comprida e escura.
No vale: Na mistura da mata fechada e na restinga da orla, entre os coqueiros.
4 espécies
Outras plantas do vale
Castanhola, moitas, capim e sub-bosque compõem o cenário; estas plantas ainda não têm ficha no almanaque do jogo.
Castanhola (amendoeira-da-praia)
Terminalia catappa
Na orla, misturada aos coqueiros, como na vila real (fotos do lugar). Copa em andares.
Moita florida
Anel de canteiros na borda da Praça e as seis moitas de ervas da serra no mirante (missão da Dona Zefa).
Capim alto (sapé)
Quatro pés em volta das covas do cemitério: o mato que o Damião pede para cortar e que não rende nada.
Sub-bosque (helicônias, bromélias e samambaias)
Sob a mata fechada, um tufo a cada três árvores; some a 85 unidades da câmera.
Da mata, e de morder
Avisa antes, quem sai da frente sai inteiro
Os bichos da mata têm um aviso de bote: o corpo acende em âmbar, a cabeça abaixa e uma marca no chão mostra até onde a mordida alcança. A luta segue as mesmas regras do jogo 2D, número por número.
na mata do dendê e no pé da pedreira
Caititu
Porco-do-mato de coleira clara. Anda de bando pequeno e não tem medo de gente: tem pressa.
Avisa antes de morder. Para, baixa a cabeça, e o corpo clareia; quem sai da frente nessa hora sai inteiro.
Três pancadas de facão derrubam um. Deixa a carne, que vai na brasa.
Quando cai, a mata leva 3 dias para pôr outro no lugar.
Meta: O Pedro guarda uma coisa do pai dele para quem derrubar dez.
no vale
no penedo, depois da pinguela
Onça
A dona do penedo. Pintada de roseta, e não de listra, e maior do que parece de longe.
Avisa uma vez só e salta de longe: o bote dela alcança quem achou que já estava fora.
Anda mais que o passo de gente e menos que a carreira. Quem corre escapa; quem anda, não.
O couro vale no balcão o que quatro caças valem. Quando cai, o penedo fica vazio por 5 dias.
Meta: Dizem no arraial que a Dona Zefa costura patuá para quem derruba duas.
no vale
nos brejos: o do leste, na beira do mar, e o da lagoa
Jararaca
Cobra de brejo, parda, de malha escura no lombo. Fica enrolada no mato alto e não persegue ninguém: espera.
O bote é curto e sai rápido; o corpo clareia antes. A mordida em si é pouca.
O que mata é o que fica: a peçonha vai tirando vida depois, devagar, e a barra escurece de verde. O chá de folha corta.
Duas facadas derrubam uma. Deixa a banha, que é remédio de benzedeira. Quando cai, o brejo leva 4 dias para ter outra.
previsto
12 bichos
Quem mais anda pelo vale
da mata, e de morder
Porco-do-mato de coleira clara. Mora na mata fechada do vale, fareja o jogador num raio e desiste num maior, arma o bote antes de morder e deixa carne de caça. Três pancadas de facão derrubam um; a mata repõe em 3 dias.
no vale
Caititu
da mata, e de morder
Porco-do-mato de coleira clara. Mora na mata fechada do vale, fareja o jogador num raio e desiste num maior, arma o bote antes de morder e deixa carne de caça. Três pancadas de facão derrubam um; a mata repõe em 3 dias.
Fareja a 96 px do 2D e só desiste a 176: quem foi farejado só se livra indo embora de verdade.
Arma o bote por 0,75 s: o corpo acende em âmbar, abaixa até 72% da altura e uma marca no chão mostra até onde a mordida alcança.
Anda a 74% do passo do jogador — dá para escapar andando depressa.
Quem o derruba respira: devolve 4 de vigor.
da mata, e de morder
Pintada e preta vivem cada uma no seu penedo. Veem por cone e linha livre, farejam pelas costas, avisam e atacam; ao sair do território voltam à lapa. A preta sai ao entardecer.
no vale
Onça pintada
da mata, e de morder
Pintada e preta vivem cada uma no seu penedo. Veem por cone e linha livre, farejam pelas costas, avisam e atacam; ao sair do território voltam à lapa. A preta sai ao entardecer.
Vida 36, mordida de 8, bote de 0,7 s com salto de 18 px.
Toca em lapa de morro de pedra, não em buraco no chão — por isso fica em cima de um penedo.
Quando cai, o penedo fica vazio por 5 dias; quem a derruba devolve 12 de vigor.
da mata, e de morder
Cobra de brejo, parda, de malha escura. Não persegue: espera enrolada no mato alto. A mordida é pouca; o que mata é a peçonha, que tira vida devagar por 12 s. O chá de folha corta.
previsto
Jararaca
da mata, e de morder
Cobra de brejo, parda, de malha escura. Não persegue: espera enrolada no mato alto. A mordida é pouca; o que mata é a peçonha, que tira vida devagar por 12 s. O chá de folha corta.
Vida 8, mordida de 2, bote curto de 0,55 s; passo de 48% do do jogador.
Peçonha: 0,5 de vida por segundo durante 12 s; a barra escurece de verde.
Duas facadas derrubam uma; o brejo leva 4 dias para ter outra.
do mar
Patrulha a parte funda, caça peixes e persegue quem nada longe da costa; quando alcança o viajante, ele volta à terra firme.
no vale
Tubarão
do mar
Patrulha a parte funda, caça peixes e persegue quem nada longe da costa; quando alcança o viajante, ele volta à terra firme.
Vive em lâmina d'água de 1,8 unidade (7,2 m) ou mais; persegue a partir de 1,6 u e nunca entra em menos de 1,0 u: quem volta para a areia escapa.
Patrulha a 1,1 u/s; na perseguição vai a 2,3 u/s (o jogador nada a ~1,5, correndo 3,0). Percebe a 55 unidades.
Ao alcançar (0,9 u): efeito de tela, som de ataque, e o jogador volta à terra firme. Depois descansa 25 s.
Na maré baixa, sem lâmina funda no pesqueiro, afunda e some até a água voltar.
Não é bicho de luta nem tem página no caderno dos bichos: não cai, não deixa nada.
do mar
Tainhas e bolas de sardinhas perto das canoas, xaréus caçando, sargentinhos e budiões nas pedras, piabas, acarás e traíras nos poços; cavalas, sororocas e raias no mar de fora. Fogem de nadadores e predadores.
no vale
Cardume do píer
do mar
Tainhas e bolas de sardinhas perto das canoas, xaréus caçando, sargentinhos e budiões nas pedras, piabas, acarás e traíras nos poços; cavalas, sororocas e raias no mar de fora. Fogem de nadadores e predadores.
Roda de 4,5 u de raio a 0,9 u/s; foge a 2,2 u/s de quem passa a menos de 3 u.
Semente fixa 1887: o cardume é sempre o mesmo.
Com menos de 0,3 u de lâmina no centro, some no fundo.
Linha lançada a menos de 6 u do centro: 'Linha no cardume. Espere ferrar...'
Peixe do Tripo (itens/peixe_tripo.glb).
da pesca (mar)
O peixe da Baía de Todos os Santos. Só na água salgada: 16 em 100 lances. É o que dá dinheiro — vale três peixes comuns no balcão do armazém.
no vale
Robalo
da pesca (mar)
O peixe da Baía de Todos os Santos. Só na água salgada: 16 em 100 lances. É o que dá dinheiro — vale três peixes comuns no balcão do armazém.
Tanque do mar: peixe comum 46, dois peixes 20, robalo 16, nada 18 (pesos em 100).
da pesca (água doce)
Peixe de remanso. Só na água doce: 20 em 100 lances. Menos dinheiro que o robalo e mais que o peixe comum — vale dois.
no vale
Traíra
da pesca (água doce)
Peixe de remanso. Só na água doce: 20 em 100 lances. Menos dinheiro que o robalo e mais que o peixe comum — vale dois.
Tanque de água doce: peixe comum 48, dois peixes 14, traíra 20, nada 18 (pesos em 100).
da pesca (toda água)
Em toda água, de propósito: metade das receitas da cozinha pede peixe. A pesca é de uma tecla: E lança, a espera é de 1,6 a 5 s, e há uma janela de 0,75 s para ferrar quando a bóia afunda. Andar recolhe a linha.
no vale
Peixe comum
da pesca (toda água)
Em toda água, de propósito: metade das receitas da cozinha pede peixe. A pesca é de uma tecla: E lança, a espera é de 1,6 a 5 s, e há uma janela de 0,75 s para ferrar quando a bóia afunda. Andar recolhe a linha.
Vigor por lance: 2.
Quem perde a janela: 'A linha voltou vazia' ou 'Levou a isca e foi embora'.
ave (só o canto)
De manhã e à tarde, um canto curto vem de um ponto a 15–30 unidades do jogador, a cada 18 a 50 segundos, na camada de volume 'aves'. Não tem corpo: o vale parece habitado pelo ouvido.
no vale
Bem-te-vi
ave (só o canto)
De manhã e à tarde, um canto curto vem de um ponto a 15–30 unidades do jogador, a cada 18 a 50 segundos, na camada de volume 'aves'. Não tem corpo: o vale parece habitado pelo ouvido.
Dois cantos (bem_te_vi_1.mp3 e bem_te_vi_2.mp3), gerados no ElevenLabs Sound Effects.
Cala à noite.
ambiente sonoro
De dia aves e insetos; de noite grilos, sapos e corujas, em fusão pela luz do dia. Os insetos e grilos são estridentes, por isso entram em episódios curtos (6–12 s) separados por pausas de 1 a 2,5 min. Na mata fechada, sussurros esparsos e a trilha de tensão.
no vale
Vozes da mata
ambiente sonoro
De dia aves e insetos; de noite grilos, sapos e corujas, em fusão pela luz do dia. Os insetos e grilos são estridentes, por isso entram em episódios curtos (6–12 s) separados por pausas de 1 a 2,5 min. Na mata fechada, sussurros esparsos e a trilha de tensão.
Mar no píer, riacho nos dois pontos do rio, fogueira no terreiro quando acesa — tudo por proximidade.
domésticos e do lugar
Cães acompanham donos e dormem nas portas; gatos fogem deles. Galinhas, galos, pintos e galinhas-d'angola recolhem ao poleiro. Patos nadam no riacho; porcos, cabras, bode e jumento rondam seus terreiros; pavões vivem no adro.
no vale
Bichos da direção de arte
domésticos e do lugar
Cães acompanham donos e dormem nas portas; gatos fogem deles. Galinhas, galos, pintos e galinhas-d'angola recolhem ao poleiro. Patos nadam no riacho; porcos, cabras, bode e jumento rondam seus terreiros; pavões vivem no adro.
Rotinas por espécie e por casa, com dono e lugar de dormir.
O pavão abre o leque quando o jogador para perto.
Só o galinheiro do quintal do jogador, com três galinhas que botam um ovo por dia cada, é criação produtiva; o resto é presença no cenário.
da história
Não é bicho: é a Matinta Pereira do capítulo 7 do enredo. Só aparece quando a história manda, no alto da torre da capela, ao bater a lança de safiras no escudo, e o embate é luta de verdade.
no vale
Coruja rasga-mortalha (Tyto furcata)
da história
Não é bicho: é a Matinta Pereira do capítulo 7 do enredo. Só aparece quando a história manda, no alto da torre da capela, ao bater a lança de safiras no escudo, e o embate é luta de verdade.
Nasce quando a lança bate no escudo, no alto da torre da capela, e luta perto das ruínas do palacete.
Tem vida 70 contra a lança de safiras; o escudo segura a mordida.
O espírito do senhor da fazenda anda ao lado do jogador e avança quando ela fraqueja: ela fica tonta por alguns segundos.
Cai uma vez só e não volta com os dias.
10 folhetos pregados pelo arraial
Cordel no balcão, no poço e na porta da capela
Nenhum folheto é atribuído a pessoa real: o campo 'autor' descreve o papel (folheto sem assinatura, letra de mão). Em 1887 o cordel impresso mal começou; o que circulava no Recôncavo era manuscrito.
O Peso Falso
folheto sem assinatura
Um vendeiro tinha um peso de chumbo por dentro oco, pesava meia arroba e cobrava arroba e troco. Morreu, e a balança dele pende sozinha, de pouco.
No balcão do armazém, embaixo da balança60 réis
O Cachorro que Foi ao Enterro
letra de mão, sem nome
O cachorro foi no enterro atrás do caixão do dono, deitou em cima da cova e ali perdeu o sono. Deram carne, deram água — e ele só queria o dono.
Na capela, embaixo de um banco70 réis
O Homem que Vendeu a Chuva
folheto sem assinatura
Chegou um homem na feira vendendo chuva engarrafada. O coronel comprou três e pagou com uma boiada. Choveu de tarde, por acaso, e do homem, nunca mais nada.
No bar da praia, esquecido numa mesa55 réis
A Missa dos Afogados
papel de embrulho, sem tipografia
Na noite de vento leste a capela torna a alumiar. Quem espia pela fresta vê os bancos a lotar de gente com roupa molhada: são os que ficaram no mar.
No cemitério, num nicho vazio80 réis
A Moça que Morava na Água
folheto sem assinatura
Na curva funda do rio onde a água não faz barulho mora uma moça de cabelo comprido feito um capulho. Quem chama, ela responde. Quem responde, vai no bulho.
Na beira da lagoa, preso numa pedra45 réis
O Cabra que Foi à Fazenda
folheto sem assinatura
Foi convidado pra festa num sábado de luar, entrou pelo portão de ferro e não tornou a voltar. Dizem que dança até hoje e ninguém pode acordar.
No vau do rio grande, debaixo da ponte caída90 réis
Peleja do Caboclo com o Vento Sul
folheto sem assinatura
O caboclo desafiou o vento sul na peleja: — Tu derruba meu chapéu, mas não derruba a igreja. O vento riu e soprou e a igreja tá lá, que veja.
No mirante, em cima da serra50 réis
O Santo do Pau Oco
folheto sem assinatura
Levaram o santo na barca com ouro dentro da barriga. O santo chegou vazio e ninguém fez intriga. Quem rezou não ficou rico, quem roubou não teve briga.
Na ruína do palacete, entre as pedras75 réis
O Boi que Falou no Engenho
folheto sem assinatura
No engenho do Coronel um boi de carro falou. Disse só: — Tenho cansaço. — e o carro não mais andou. O Coronel vendeu o boi e o boi nunca mais voltou.
No engenho, pendurado num caibro45 réis
O Moleque que Pescou a Lua
folheto sem assinatura
O moleque jogou a linha na maré de lua cheia, fisgou a lua pelo meio e arrastou pela areia. A mãe mandou soltar logo: — Sem lua, a noite é feia.
Na ponta do píer, dentro de uma lata40 réis
O título nunca nomeia o mito
Sinais de quem olhou primeiro
na beira do rio, onde a água empoça e fica parada · de tarde, com o sol baixo
O que olhou de volta
Você se debruçou para beber e o rosto que boiou não era o seu.
Era de mulher, e estava rindo — não de você, mas de alguma coisa que ela sabia e você não.
Durou o tempo de piscar. Depois a água voltou a ser água, e no barranco ficou isto: um fio de cabelo preto, comprido demais para ser de gente do arraial, enrolado numa pedra como quem amarra recado.
O que o almanaque revela depois
O fio era dela. Iara, moça d'água, a que mora onde o rio para.
Ela olhou primeiro. Elas sempre olham primeiro — é assim que escolhem.
na mata fechada além do rio grande · no meio do dia, sem vento
A mata que parou
O barulho acabou. Não foi diminuindo: acabou, de uma vez, como quem fecha uma porta.
Nenhum bicho, nenhuma folha, nenhum inseto. Você contou até dez e o mato voltou a falar, todo junto, como se nada.
No chão, no meio da clareira, uma pegada só. De pé humano, de criança, e virada para trás.
O que o almanaque revela depois
A pegada virada para trás é a assinatura da Caipora, que anda de costas para quem a segue.
Ela não estava escondida. Ela estava olhando você contar até dez.
bem no fundo da mata, longe de qualquer caminho · a qualquer hora, com a mata calada
Pegadas ao contrário
Pegadas de pé de criança, uma atrás da outra, no meio do mato fechado onde ninguém passa.
Os dedos apontam para trás: quem as deixou andou para um lado com os pés virados para o outro.
Um assobio fino, de lugar nenhum. E o mapa, que você sempre soube ler, já não sabia onde ficava o norte.
Pactos
2
Com um mito, no lugar dele. Dá ganho permanente e cobra todo dia que amanhecer. Um de cada vez: firmar o segundo desfaz o primeiro. Quem não tem com que pagar não perde o pacto — perde o ganho daquele dia, e é avisado.
Pacto da Caipora — A mata deixa você levar mais. Toda madrugada ela cobra o pedágio dela — fumo não temos, então é comida.
Pacto da Iara — A água entrega o que tem. Ela cobra em coisa doce, todo dia, e não aceita peixe — peixe é dela.
Apoios
2
Carta de gente, não de mito. Vale uma vez por dia, na tecla B, e não cobra nada: é um favor guardado, uma reza que alguém ensinou.
Reza forte da Dona Zefa — Uma vez por dia: o corpo aguenta o resto da tarde.
Braço do Cosme — Uma vez por dia: ele aparece e ajuda no que for de lombo.
Rituais
3
Consumível que se prepara no oratório da casa com o que se planta. Some ao usar. É o único dos três que o jogador fabrica.
Chamado de chuva — Molha o roçado inteiro, agora. O que estava seco amanhece crescido.
Resguardo da roça — Por três dias, toda colheita rende mais uma.
Olho da mata — Aponta o que a mata tem por perto: madeira de lei e pedra boa.
Damião zela, o almanaque lembra
12 nomes que o arraial não esqueceu
1801 – 1869
Parteira por quarenta anos. Pôs no mundo metade do arraial e nunca cobrou de quem não tinha.
Maria das Dores Conceição
1801 – 1869
Parteira por quarenta anos. Pôs no mundo metade do arraial e nunca cobrou de quem não tinha.
1822 – 1858
Saiu de canoa num nordeste forte e o mar não devolveu. Aqui está a rede dele.
Joaquim Pescador
1822 – 1858
Saiu de canoa num nordeste forte e o mar não devolveu. Aqui está a rede dele.
1830 – 1884
Rezadeira. Curava quebranto com arruda; ainda hoje deixam folha verde na pedra.
Ana Rosa do Espírito Santo
1830 – 1884
Rezadeira. Curava quebranto com arruda; ainda hoje deixam folha verde na pedra.
1815 – 1872
Mestre de saveiro. Levava farinha a Salvador e trazia de volta as notícias do mundo.
Benedito Firmino
1815 – 1872
Mestre de saveiro. Levava farinha a Salvador e trazia de volta as notícias do mundo.
1861 – 1866
Levada pela febre do ano da seca. O jasmim que a mãe plantou ainda floresce em setembro.
Luzia, menina
1861 – 1866
Levada pela febre do ano da seca. O jasmim que a mãe plantou ainda floresce em setembro.
1790 – 1856
Primeiro padre da capela. Pediu para ser enterrado de frente para o mar, não para o altar.
Padre Inácio Moura
1790 – 1856
Primeiro padre da capela. Pediu para ser enterrado de frente para o mar, não para o altar.
1812 – 1880
Comprou a liberdade vendendo cocada na feira. Com o que sobrou, comprou a da irmã.
Felícia da Purificação
1812 – 1880
Comprou a liberdade vendendo cocada na feira. Com o que sobrou, comprou a da irmã.
1826 – 1879
Fez as portas da capela e quase todas estas cruzes. A dele, o filho fez torta, de homenagem.
Manoel Carpina
1826 – 1879
Fez as portas da capela e quase todas estas cruzes. A dele, o filho fez torta, de homenagem.
1840 – 1882
Gêmeos que partiram no mesmo dia. No arraial, ninguém lembra de um sem falar do outro.
Custódia e Custódio
1840 – 1882
Gêmeos que partiram no mesmo dia. No arraial, ninguém lembra de um sem falar do outro.
1833 – 1877
Tocava viola no samba de roda até clarear. Com vento da mata, há quem ouça o ponteado.
Sebastião Violeiro
1833 – 1877
Tocava viola no samba de roda até clarear. Com vento da mata, há quem ouça o ponteado.
1818 – 1885
Plantou o primeiro mandiocal do vale. A casa de farinha ainda usa o forno dela.
Dona Zefa do Roçado
1818 – 1885
Plantou o primeiro mandiocal do vale. A casa de farinha ainda usa o forno dela.
? – 1874
Chegou numa jangada sem vela, já sem vida. Ganhou flores e cruz como filho da terra.
Desconhecido
? – 1874
Chegou numa jangada sem vela, já sem vida. Ganhou flores e cruz como filho da terra.
Aparecem no menu, sobre o vale
Notas do almanaque
O mar do vale segue a carta náutica 1108 da Marinha, com a água da preamar de sizígia.de dia
Toda a costa da baía é franjada de coqueiro, inclinado para o mar como quem procura a água.de dia
Em 1887 a piaçava sai da Bahia em fardos para o mundo: vira vassoura, corda de navio e cobertura de rancho.de dia
Onde o rio encontra a baía, quem manda é o mangue-vermelho, de pé na lama salgada.de dia
O dendezeiro veio da costa da África; do dendê sai o azeite do acarajé, do vatapá e da moqueca.de dia
Em 1887 já é raro achar um pau-brasil de pé na mata.de dia
O jenipapo verde tinge a pele de azul-escuro por dias; maduro, vira o licor das festas de São João.de dia
Disse também, sem tirar a mão do leme, que ali a gente aprende a não andar na mata depois que escurece.de noite
Minha avó diz que o que troca com a gente à noite, cobra de dia. — Pedrode noite
Para o povo de santo, a gameleira é morada de Iroko, e não se corta. Os mais velhos passam longe dela à noite.de noite
Maré cheia, ninguém anda no mangue.de noite
Ninguém dorme debaixo de jaqueira carregada.de noite