Compra a cana do engenho da beira, o que “comeu doze famílias”; por isso quer a cana do roçado do viajante.
Freguesa · Engenho
Compra a cana do engenho da beira, o que “comeu doze famílias”; por isso quer a cana do roçado do viajante.
Recôncavo Baiano, 1887
Moradores · Católica
Dona Candinha
Garapeira da praça; quem sabe de tudo o que passa pelo arraial
Dona Candinha
Garapeira da praça; quem sabe de tudo o que passa pelo arraial
Sessenta e dois anos
A praça, de manhã ao entardecer, junto da moenda; à noite, a casa de pasto ao lado da praça
Quem é
Candinha vende garapa na praça “desde antes de o senhor nascer”. Tem sessenta e dois anos e não sabe fazer outra coisa. A praça é onde se sabe das coisas: quem vai para a roça passa de manhã, quem volta passa de tarde, e os dois param para beber — ela repara em tudo, e reparar é o ofício dela, junto com a moenda. Foi ela quem primeiro comentou o convite: “sem assinatura... sei não”.
Compra a cana do engenho da beira, o mesmo que comeu doze famílias; compra barato porque eles vendem barato, “pelo motivo que o senhor imagina”. Sabe o que mói e o que vende — “quem diz que não sabe é que mente” — e não dorme bem por isso. É por isso que pede ao viajante seis canas do roçado dele: moídas na hora, meio a meio, e garapa de graça dali em diante.
Vê o arraial passar: a Dona Zefa desce quando alguém adoece, e só; o Seu Benedito não desce mais, por causa das pernas; o Tonho passa cedo com a rede e volta tarde sem olhar para ninguém — “esse eu não entendo, e não é por falta de tentar”. É católica e dorme na casa de pasto ao lado da praça. No 2D é dela a garapa que o viajante ganha ao conhecer a praça.
Candinha vende garapa na praça “desde antes de o senhor nascer”. Tem sessenta e dois anos e não sabe fazer outra coisa. A praça é onde se sabe das coisas: quem vai para a roça passa de manhã, quem volta passa de tarde, e os dois param para beber — ela repara em tudo, e reparar é o ofício dela, junto com a moenda. Foi ela quem primeiro comentou o convite: “sem assinatura... sei não”.
Compra a cana do engenho da beira, o mesmo que comeu doze famílias; compra barato porque eles vendem barato, “pelo motivo que o senhor imagina”. Sabe o que mói e o que vende — “quem diz que não sabe é que mente” — e não dorme bem por isso. É por isso que pede ao viajante seis canas do roçado dele: moídas na hora, meio a meio, e garapa de graça dali em diante.
Vê o arraial passar: a Dona Zefa desce quando alguém adoece, e só; o Seu Benedito não desce mais, por causa das pernas; o Tonho passa cedo com a rede e volta tarde sem olhar para ninguém — “esse eu não entendo, e não é por falta de tentar”. É católica e dorme na casa de pasto ao lado da praça. No 2D é dela a garapa que o viajante ganha ao conhecer a praça.
Gosta de Peixe na brasa, Pirão de peixe e Manga. Não gosta de Cana-de-açúcar.
Gosta de Peixe na brasa, Pirão de peixe e Manga. Não gosta de Cana-de-açúcar.
A vendedora de garapa da Praça, manhã, tarde e entardecer; missões em missoes_candinha.json.
Dona Candinha, elderly Afro-Brazilian street vendor woman selling sugarcane juice, white headscarf, mustard-yellow blouse, long cream skirt, barefoot, standing in a relaxed A-pose, full body.
Modelo do Tripo
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Dona Candinha, elderly Afro-Brazilian street vendor woman selling sugarcane juice, white headscarf, mustard-yellow blouse, long cream skirt, barefoot, standing in a relaxed A-pose, full body.
O que conversa
Candinha. Vendo garapa nessa praça desde antes de o senhor nascer, imagino eu. É aqui que se sabe das coisas. Quem vai pra roça passa de manhã, quem volta passa de tarde, e os dois param pra beber. O sobrinho do finado. Já sabia. O padre leu a carta na missa e o arraial inteiro comentou na saída.
Dona Candinha
O senhor repara no movimento daqui? Eu reparo. É o meu ofício, junto com a moenda. Dona Zefa desce quando alguém adoece, e só. Seu Benedito não desce mais — as pernas. O Tonho passa cedo com a rede e volta tarde sem olhar pra ninguém. Esse eu não entendo, e não é por falta de tentar.
Dona Candinha
Candinha. Vendo garapa nessa praça desde antes de o senhor nascer, imagino eu.
É aqui que se sabe das coisas. Quem vai pra roça passa de manhã, quem volta passa de tarde, e os dois param pra beber.
O sobrinho do finado. Já sabia. O padre leu a carta na missa e o arraial inteiro comentou na saída.
O senhor repara no movimento daqui? Eu reparo. É o meu ofício, junto com a moenda.
Dona Zefa desce quando alguém adoece, e só. Seu Benedito não desce mais — as pernas.
O Tonho passa cedo com a rede e volta tarde sem olhar pra ninguém. Esse eu não entendo, e não é por falta de tentar.
O senhor já viu o engenho, lá na beira? Aquilo comeu doze famílias, e o Seu Benedito conta uma por uma se o senhor deixar.
Pois é de lá que vem a minha cana. Eu compro barato porque eles vendem barato, e eles vendem barato pelo motivo que o senhor imagina.
Eu sei o que estou moendo, e sei o que estou vendendo. Quem diz que não sabe é que mente.
Mas eu tenho sessenta e dois anos e não sei fazer outra coisa. Então eu moo, vendo, e não durmo bem.
Compra a cana do engenho da beira, o que “comeu doze famílias”; por isso quer a cana do roçado do viajante.
Compra a cana do engenho da beira, o que “comeu doze famílias”; por isso quer a cana do roçado do viajante.
Da praça vê quem desce e quem não desce mais: a Zefa só quando alguém adoece, o Benedito nunca (as pernas), o Tonho sem olhar para ninguém.
Da praça vê quem desce e quem não desce mais: a Zefa só quando alguém adoece, o Benedito nunca (as pernas), o Tonho sem olhar para ninguém.
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